Um levantamento do Instituto Potsdam para Impactos Climáticos (PIK), o Planetary Health Check 2026, divulgado em 21 de setembro de 2026, aponta a região amazônica como uma das mais expostas às perturbações climáticas, ao identificar que florestas e solos estão perdendo a capacidade de retirar e armazenar dióxido de carbono, um processo que empurra o planeta rumo a mudanças mais intensas e possivelmente irreversíveis e motivou o alerta dos pesquisadores.
O relatório Planetary Health Check 2026, do Instituto Potsdam para Impactos Climáticos (PIK), detalha sinais claros de perda da função da bacia amazônica como sumidouro de carbono. Fatores combinados — desmatamento, queima, degradação seletiva e estresse climático — reduziram a resiliência das florestas e solos, provocando menor captação e armazenamento de dióxido de carbono e aumentando o risco de liberação adicional para a atmosfera.
Essa dinâmica eleva a probabilidade de uma transição ampla da cobertura florestal para formações arbustivas e abertas, semelhantes a savanas, com consequências para a biodiversidade, o ciclo hidrológico e o clima regional e global. Estudos citados no relatório mostram que a perda de vigor da vegetação diminui a reciclagem de umidade, alterando padrões de chuva e prejudicando a produção de alimentos e disponibilidade de água em comunidades locais.
Impactos e respostas
Além disso, mudanças em correntes oceânicas podem deslocar a Zona de Convergência Intertropical e redistribuir chuvas dentro da bacia, agravando secas em áreas críticas. Os impactos incluem extinções, riscos sanitários e perda de serviços ecossistêmicos para populações tradicionais. O documento destaca o papel de povos indígenas e comunidades locais, cujo manejo favorece a recuperação do solo e a manutenção da diversidade.
Cientistas do PIK, como Carlos Nobre, alertam que o risco é iminente e exigem medidas urgentes: proteção contra desmatamento, ampliação de áreas protegidas, apoio aos saberes tradicionais e redução de emissões. A janela para evitar a mudança estrutural é estreita e exige ação rápida e coordenada entre governos, sociedade e comunidades locais.
