Uma importante conquista sanitária global foi formalizada para o Brasil na última sexta-feira, quando, em Paris, na França, o país foi oficialmente agraciado pela Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) com o atestado de território completamente desprovido da enfermidade conhecida como febre aftosa, dispensando agora a imunização preventiva dos rebanhos. O motivo primordial desta validação reside no reconhecimento da solidez do sistema de controle de saúde animal do país, abrindo novas perspectivas para o setor pecuário nacional.
Presentes na cerimônia de formalização em Paris estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Ambos enfatizaram a confiança na robusta estrutura de fiscalização agropecuária nacional e os horizontes promissores que se abrem para a produção de animais de corte com este novo status sanitário. A febre aftosa, uma doença que afeta primariamente o gado, mas que raramente é fatal e, importante, sem riscos à saúde humana, teve seu primeiro registro no Brasil há mais de um século, em 1895. Os esforços sérios para sua erradicação datam dos anos 1960, culminando em estratégias mais recentes, como o plano iniciado em 2017, que visava cessar a aplicação de vacinas nos rebanhos, uma meta que acabou sendo antecipada do horizonte original previsto para 2025. O presidente Lula recebeu o diploma que atesta esta conquista diretamente das mãos da líder da OMSA, Emmanuelle Soubeyran.
A decisão final que homologou este patamar sanitário excepcional para o Brasil foi tomada pela OMSA poucos dias antes da cerimônia, durante sua assembleia geral. Alcançar este status de território livre de febre aftosa sem vacinação era uma aspiração antiga e estratégica do agronegócio brasileiro. Sua importância reside principalmente no fato de que ele pavimenta o caminho e facilita o acesso a mercados consumidores internacionais muito mais rigorosos em termos de sanidade animal, notadamente no que tange às exportações de carnes bovina e suína. O próprio chefe de estado brasileiro citou, durante a cerimônia, a grande expectativa de que nações com restrições atuais à carne do Brasil, como Japão e Coreia do Sul, possam agora finalmente abrir suas fronteiras comerciais para os produtos brasileiros. A conquista representa uma validação significativa dos muitos anos de árduo trabalho e vultosos investimentos realizados em vigilância sanitária e controle de doenças ao longo de todo o território nacional.
Tanto o presidente quanto o ministro fizeram questão de ressaltar a necessidade contínua de manter uma vigilância sanitária rigorosa e ininterrupta para preservar esta condição sanitária invejável. Eles lembraram que este status é fruto de décadas de colaboração intensa e coordenada entre produtores rurais, governos estaduais, municipais e até países vizinhos, demonstrando a abrangência do esforço. O ministro Carlos Fávaro, ao destacar a importância deste reconhecimento internacional pela OMSA, posicionou o Brasil no patamar dos países com as melhores práticas em sanidade animal no mundo. Aproveitou a oportunidade para propor formalmente que o Brasil se candidate a sediar um futuro evento global de alto nível sobre saúde animal. Defendeu também a discussão e o aprimoramento contínuo sobre como responder a eventuais crises sanitárias de forma regionalizada em um país continental como o Brasil, visando evitar que problemas localizados resultem em restrições comerciais amplas e desnecessárias, uma questão de grande relevância econômica para o setor pecuário. Mesmo diante de desafios recentes, como um foco de gripe aviária detectado em aves silvestres, a resiliência do sistema de controle agropecuário foi evidenciada. Contudo, a mensagem final é clara: manter este elevado nível sanitário exige dedicação constante, investimentos contínuos e maiores aportes financeiros para proteger de forma eficaz o inestimável patrimônio pecuário nacional.
