Em outubro de 2025, o mercado de trabalho brasileiro registrou uma expansão líquida de 85.147 vagas formais em todo o território nacional, porém, o resultado representa uma notável desaceleração na criação de empregos.
Segundo o governo federal, a principal causa para este arrefecimento econômico, apurado pelo Novo Caged, é a política de juros elevada mantida pelo Banco Central, com a taxa Selic fixada em 15% ao ano, impactando diretamente a dinâmica de contratações no país.
O desempenho atual contrasta fortemente com períodos anteriores. O volume de postos criados é significativamente inferior tanto ao mês precedente, setembro, que viu a adição de mais de 213 mil vagas, quanto ao mesmo período do ano anterior, outubro de 2024, que contabilizou cerca de 131 mil novas posições.
Essa tendência de contenção reflete-se no balanço dos últimos doze meses, que acumulou 1,35 milhão de novas vagas, um número consideravelmente menor que os quase 1,8 milhão gerados no ciclo de doze meses imediatamente anterior. Atualmente, o Brasil sustenta um contingente de aproximadamente 49 milhões de trabalhadores com contratos formais, um marco importante apesar do ritmo mais lento de crescimento.
Desempenho Desigual entre Setores e Perfis
A performance do mercado foi marcadamente desigual entre os diferentes segmentos da economia. A sustentação do crescimento veio exclusivamente dos setores terciários, com o ramo de Serviços liderando com a criação de mais de 82 mil postos, seguido pelo Comércio, que contribuiu com cerca de 25 mil. Em contrapartida, a Indústria, a Construção Civil e a Agropecuária registraram perdas conjuntas de aproximadamente 23 mil vagas.
Geograficamente, a expansão foi disseminada, com 21 das 27 unidades federativas apresentando balanço positivo. Um olhar sobre o perfil dos novos contratados revela um protagonismo feminino e juvenil, com mulheres e jovens de 18 a 24 anos garantindo a maioria das oportunidades. Contudo, um ponto de atenção é a natureza desses vínculos: quase um terço das vagas foram atípicas, como as de jornada intermitente, com remuneração inicial média 14,3% inferior à das vagas tradicionais.
