Um levantamento demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEG), revelou que mais de 11,8 milhões de pessoas residem em zonas de preservação ambiental no Brasil.
O estudo detalhou a presença humana dentro das 2.365 unidades de preservação legalmente delimitadas em todo o país, criadas para salvaguardar a biodiversidade, espécies e recursos vitais para comunidades tradicionais, visando restaurar ecossistemas e impulsionar o desenvolvimento socioambiental sustentável.
Das 2.365 unidades de preservação existentes no território nacional, 1.138 registraram ocupação humana permanente no período da coleta de dados, abrangendo 1.375 municípios. A vasta maioria dos residentes nessas áreas protegidas, quase 78%, vive em núcleos urbanos localizados dentro dos limites, enquanto aproximadamente 21% habitam o ambiente rural, uma proporção de urbanização ligeiramente inferior à média nacional.
Um dos pontos de alerta destacados pelo relatório é a condição de vida dos moradores. Perto de quatro em cada dez habitantes enfrentam dificuldades significativas no acesso a serviços essenciais, como água potável, saneamento básico adequado ou coleta regular de lixo.
As carências infraestruturais são particularmente severas no meio rural dessas zonas, onde a falta simultânea dos três serviços básicos atinge 31% dos lares, em contraste com menos de 1% nas áreas urbanas. No total, cerca de 87% dos residentes rurais lidam com ao menos uma dessas privações, contra 28% nas cidades.
A composição populacional reflete a diversidade brasileira, com predomínio de indivíduos de pele parda, seguidos por brancos e pretos. É notável a presença expressiva de comunidades tradicionais: mais de 7% da população indígena do Brasil e mais de um quinto dos quilombolas residiam nessas unidades. Contudo, esses grupos enfrentam as piores condições de saneamento, com sete em cada dez lares indígenas e quase 90% dos quilombolas reportando alguma forma de privação.
Em relação à faixa etária, a população nessas áreas tende a ser mais jovem que a média nacional, especialmente no campo. A alfabetização para maiores de 15 anos é alta (mais de 91%), embora ligeiramente abaixo da média do país, sendo o analfabetismo mais prevalente entre idosos e em zonas rurais.
O relatório de 2022 evidencia a complexa realidade e os desafios enfrentados por milhões de brasileiros que coexistem com a natureza em áreas protegidas, especialmente no que diz respeito à infraestrutura e ao bem-estar das comunidades tradicionais.
