Revisão divulgada em 2026 na revista Food & Function, realizada por equipes das universidades de São Paulo e Minas Gerais, examinou como polifenóis — compostos abundantes em frutas, café, chá e hortaliças — interagem com a microbiota intestinal e podem repercutir sobre a saúde mental, buscando entender por que esses fitoquímicos despertam interesse na prevenção e no tratamento de transtornos emocionais, ao reunir evidências experimentais e clínicas que descrevem mecanismos e potenciais aplicações.
A revisão, publicada na revista Food & Function, reuniu evidências experimentais e clínicas para mapear como os polifenóis modulam a microbiota intestinal e, por consequência, funções neurológicas e comportamentais. Os autores descrevem três vias principais: modulação seletiva de espécies microbianas, transformação microbiana de polifenóis no cólon em metabólitos mais biodisponíveis; e produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) por fermentação, agentes que fortalecem a barreira intestinal e regulam respostas imunometabólicas.
Essas alterações locais geram sinais químicos que alcançam o sistema nervoso central por vias humorais e neurais, incluindo estímulos pelo nervo vago; embora os polifenóis raramente atravessem a barreira hematoencefálica, seus derivados e os efeitos microbianos podem modular neurotransmissores como a serotonina, associados ao bem-estar. Entre as fontes alimentares mais relevantes estão frutas, café, chá e hortaliças; classes destacadas incluem flavonoides (como antocianinas), catequinas, quercetina e ácidos fenólicos.
A diversidade química dificulta apontar um único composto efetivo, e estudos clínicos ainda não definiram doses ideais ou populações beneficiadas. Perguntas frequentes respondidas pelos autores: consumo regular e variado parece mais eficaz que ingestões esporádicas; polifenóis podem atuar como coadjuvantes, não substitutos de tratamentos farmacológicos; riscos são baixos em alimentos, mas suplementos exigem cautela.
Em termos práticos, os pesquisadores recomendam dieta colorida e diversificada, aliada a sono, atividade física e manejo do estresse, enquanto novas pesquisas esclarecem dosagens e indicações terapêuticas. Os autores pedem pesquisas multidisciplinares, ensaios clínicos e identificação de biomarcadores para personalizar recomendações nutricionais, avaliar eficácia em diferentes perfis e ao longo do tempo e em subgrupos.
