Em 2026, uma pesquisa liderada na Unesp, campus de Guaratinguetá, mostrou que certas interações gravitacionais podem tornar mais estáveis as trajetórias de alguns asteroides que compartilham período orbital com planetas rochosos; o estudo, coordenado por Valerio Carruba e colaboradores do Inpe e da Universidade de Atacama, foi reconhecido com o CELMEC IX Prize. A investigação, realizada por meio de simulações numéricas de cerca de 100 mil anos, analisou como a combinação da ressonância 1:1 com o mecanismo von Zeipel-Lidov-Kozai (ZLK) pode reduzir a probabilidade de aproximações perigosas de corpos co-orbitais de Vênus, Terra e Marte.
A pesquisa, conduzida por Valerio Carruba com colaboradores do Inpe e da Universidade de Atacama, utilizou simulações numéricas que incluíram influência de todos os planetas e da Lua por cerca de cem mil anos. Os autores focaram em objetos co-orbitais de Vênus, Terra e Marte — corpos que compartilham o período orbital dos planetas — e analisaram a interação entre a ressonância 1:1 e o mecanismo von Zeipel-Lidov-Kozai (ZLK).
A ressonância 1:1 sincroniza o movimento médio entre asteroide e planeta, enquanto o ZLK promove trocas periódicas entre excentricidade e inclinação. Quando o argumento do periélio entra em libração, a órbita oscila em torno de ângulos restritos, limitando geometrias que favorecem aproximações. Nas simulações, co-orbitais terrestres com estados ZLK robustos não apresentaram encontros relevantes com a Terra no período; amostras sem essa proteção registraram passagens próximas.
Resultados e implicações
Entre os alvos, o 2025 TV10 surgiu como co-orbital de Vênus sem ZLK estável, e o 2017 XG62 exemplificou uma configuração protetora em Marte. Os autores ressaltam que o mecanismo pode atenuar riscos para alguns corpos, mas não os elimina, sobretudo para objetos maiores ou populações não detectadas. Zonas de estabilidade em planetas telúricos são estreitas e muitos co-orbitais ficam perto da direção solar no céu, dificultando a detecção.
O reconhecimento com o CELMEC IX Prize destaca a relevância da pesquisa e aponta que combinar modelagem dinâmica com observações é essencial. Os pesquisadores recomendam vigilância contínua e novas observações para ampliar o catálogo de co-orbitais e refinar estimativas de risco e estabilidade.
