Uma avaliação internacional da OCDE aponta queda inédita no desempenho escolar, detectada no exame aplicado em 2026 em 91 países e territórios; pesquisadores vinculam o retrocesso ao aumento do uso de telas e ao encolhimento do hábito de ler por prazer, com sinais de leitura superficial e distração por aparelhos móveis.
O relatório da OCDE, que avaliou cerca de 760 mil estudantes de 15 anos em 91 países e territórios, mostra perdas generalizadas em leitura, matemática e ciências. Em leitura, o escore médio retrocedeu a níveis equivalentes aos de alunos com um ano a menos de escolaridade, indicando que a capacidade de compreensão profunda vem diminuindo de forma consistente desde 2012.
Em ciências e matemática também se observam quedas importantes em relação aos picos históricos, afetando sistemas educacionais de diferentes regiões. As perdas foram mais acentuadas entre jovens de contextos socioeconômicos mais favorecidos, um achado que sugere mudanças comportamentais amplas e não apenas limitações de acesso. Pesquisadores vinculam o fenômeno ao aumento do tempo de tela para lazer e à redução do hábito de leitura por prazer, além de registrar leitura superficial e distração por aparelhos móveis durante atividades escolares.
A OCDE alerta que a tecnologia pode apoiar o aprendizado até certo ponto, mas o uso excessivo e sem mediação está associado a desempenhos piores; quase metade dos alunos relatou usar assistentes de inteligência artificial para estudar, e o uso desses recursos para redigir ou resumir trabalhos correlacionou-se com perdas de cerca de vinte pontos em ciências, equivalentes a aproximadamente um ano de estudo.
Em resposta, especialistas recomendam políticas combinadas: mediação do uso de dispositivos, incentivo à leitura prazerosa, formação docente para integrar ferramentas digitais com propósito pedagógico e monitoramento do impacto de chatbots nas avaliações, em vez de medidas simplistas ou proibições automáticas, e avaliação contínua e transparente dos resultados.
