Um estudo divulgado em 2025 na European Heart Journal, por pesquisadores ligados à Sociedade Europeia de Cardiologia, mostrou que algoritmos de inteligência artificial podem estimar o risco de problemas cardiovasculares em mulheres a partir de mamografias de rotina, aproveitando exames de rastreamento do câncer de mama para identificar sinais de doença cardíaca sem submeter as pacientes a testes adicionais.
Pesquisadores analisaram imagens de 123.762 mulheres sem histórico conhecido de doença cardiovascular. Usando modelos de inteligência artificial treinados para identificar e quantificar calcificações nas artérias mamárias, a equipe classificou a presença de cálcio em quatro níveis: ausente, leve, moderada e intensa.
As calcificações, registradas de rotina nas mamografias e distintas de possíveis sinais tumorais, mostraram correlação consistente com eventos cardíacos graves no seguimento, incluindo enfarte, acidente vascular cerebral e morte por causas cardiovasculares.
Na análise estatística, calcificações discretas associaram-se a aproximadamente 30% mais risco relativo, níveis moderados a cerca de 70% de aumento, e depósito extenso elevou o risco para cerca de duas a três vezes. Os autores destacam que a técnica não substitui testes cardiológicos específicos, mas funciona como ferramenta de triagem adicional que pode indicar necessidade de avaliação cardiológica complementar. A proposta aproveita um exame já realizado no rastreamento do câncer de mama, reduzindo a exposição a novos procedimentos e permitindo intervenção precoce em pacientes que poderiam passar despercebidas.
A viabilidade operacional exigirá integração dos algoritmos aos fluxos de trabalho dos serviços de imagem, investimentos em software e definição de protocolos para notificação clínica. Estudos clínicos randomizados e validação em populações diversas foram recomendados pelos pesquisadores para confirmar benefício em desfechos e orientar políticas de implementação.
Especial atenção foi dada ao potencial impacto em mulheres mais jovens, já que sinais de risco apareceram também em faixas etárias abaixo dos cinquenta anos, ampliando a utilidade da abordagem preventiva. Objetivo: reduzir mortalidade e melhorar resultados clínicos no longo prazo globalmente.
