O Brasil agora possui, pela primeira vez, uma estimativa oficial de pessoas com diagnóstico formal de autismo, revelada em 2025 pelo IBGE com base em dados preliminares do Censo 2022. O levantamento indicou que cerca de 2,4 milhões de brasileiros com 2 anos ou mais declararam ter o diagnóstico, representando 1,2% da população na faixa etária e aproximadamente 1,4 homens para cada mulher, fornecendo um ponto de partida crucial para políticas públicas, pesquisa e alocação de recursos.
Os dados do IBGE, baseados na autodeclaração de um diagnóstico profissional pelos moradores aos recenseadores, apontam uma prevalência de 1,2% entre pessoas com dois anos ou mais, totalizando cerca de 2,4 milhões de indivíduos. Esse número é maior entre homens (1,5%) comparado a mulheres (0,9%). Notavelmente, o grupo etário de 5 a 9 anos apresenta a maior prevalência reportada, com 2,6%, significando que aproximadamente uma em cada 38 crianças nessa faixa etária tem um diagnóstico, com uma relação de 3,1 homens para 1 mulher.
É fundamental compreender que esses números refletem diagnósticos *reportados*, e não o total de indivíduos no espectro. Muitos, especialmente adultos e aqueles com apresentações menos típicas, podem ainda não ter recebido um diagnóstico formal. Especialistas sugerem que a prevalência real pode ser significativamente maior, potencialmente superando 5,5 milhões, se a taxa observada na infância (1 em 38) fosse aplicada a toda a população.
A Dra. Rosa Magaly Moraes salienta a importância fundamental desses dados nacionais para alinhar o Brasil com padrões internacionais. Eles são vitais para criar políticas públicas direcionadas, promover pesquisas e otimizar a alocação de recursos para suporte e intervenção. Ela aponta para barreiras no acesso ao diagnóstico, como a capacitação insuficiente de profissionais, particularmente em relação a apresentações diversas em mulheres, indivíduos com alta capacidade intelectual e adultos.
A comparação com dados recentes dos EUA (1 em 31 crianças de 8 anos) mostra padrões similares. A análise brasileira também revela disparidades socioeconômicas, com maior proporção de diagnosticados tendo baixa escolaridade (46,1%), embora a frequência escolar seja superior à média. Dados étnicos sugerem possíveis barreiras de acesso para populações não-brancas, em vez de diferenças reais na prevalência. Mais de 760 mil estudantes diagnosticados foram identificados, a maioria (66,8%) no ensino fundamental regular, reforçando o valor dos dados para o planejamento educacional. Este retrato estatístico inicial é um passo crítico para aprimorar o suporte a indivíduos com autismo e suas famílias em todo o país.
