Em Belém, Brasil, durante a semana corrente de 2025, as negociações da 30ª Conferência das Partes (COP30) chegaram a um impasse devido a profundas fissuras diplomáticas.
A estagnação ocorre porque um bloco de países em desenvolvimento está lutando para proteger a soberania de suas metas climáticas contra um novo escrutínio internacional, enquanto um acalorado debate se desenrola sobre a imposição de barreiras comerciais de viés ambiental por economias mais ricas, travando o avanço de um consenso climático global.
O epicentro da primeira contenda reside na proposta de um mecanismo de avaliação coletiva das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), os compromissos climáticos de cada país. Uma coalizão de nações árabes e outros países em desenvolvimento teme que essa supervisão se torne uma ferramenta de coerção para ampliar ambições, sem a devida contrapartida em financiamento e transferência de tecnologia.
Para este grupo, o processo subverte o espírito do Acordo de Paris, que consagra a autonomia nacional na definição de metas, e antecipa indevidamente o inventário mundial do progresso climático, previsto apenas para 2028.
A principal preocupação é que a avaliação coletiva puna países com menos recursos, ignorando as responsabilidades históricas das nações desenvolvidas e a necessidade de apoio para uma transição justa. A questão que paira no ar é como equilibrar a urgência climática com a prerrogativa soberana de cada nação.
Protecionismo Climático em Foco
Paralelamente, a cúpula enfrenta uma crescente disputa sobre o que muitos classificam como protecionismo climático. Países em desenvolvimento pressionam para que o tema das ações comerciais autônomas, como o mecanismo europeu de taxação de carbono em importações (CBAM), seja formalmente discutido.
Estas medidas são vistas como obstáculos comerciais disfarçados, criando uma competição desigual que penaliza economias que não possuem os mesmos recursos para descarbonizar suas indústrias rapidamente. O argumento central é que uma nação não pode usar sua política ambiental para regular o comércio exterior de forma unilateral e punitiva.
Em contrapartida, os países desenvolvidos defendem sua soberania regulatória para implementar os instrumentos que considerem necessários. A presidência da cúpula busca agora uma solução de compromisso, mas os impasses expõem uma clivagem fundamental entre o Norte e o Sul Global.
