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Anvisa cria regra para Ozempic e coloca gigantes farmacêuticas em rota de colisão

Uma nova diretriz da Anvisa gerou um profundo dissenso entre gigantes farmacêuticos sobre a segurança dos medicamentos manipulados. A controvérsia surgiu devido à nova regulamentação da importação de insumos para análogos de GLP-1, populares no tratamento de diabetes e peso. A medida, que visa organizar o setor, dividiu opiniões: enquanto a Novo Nordisk a apoia como um avanço, a Eli Lilly a critica como uma falha que perpetua um grave perigo sanitário, criando um cenário de incerteza para os consumidores.

A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, aplaudiu a resolução, considerando-a um passo crucial para a proteção do consumidor. Segundo a empresa, a norma cria uma barreira contra formulações de origem duvidosa, que frequentemente carecem de garantias essenciais como pureza dos ingredientes, dosagem precisa, estabilidade e esterilidade.

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A ausência desses controles pode resultar em tratamentos ineficazes, reações adversas graves e até infecções. A farmacêutica argumenta ainda que a diferença de preço entre o medicamento industrializado e as versões manipuladas é mínima, tornando a opção registrada a mais segura e vantajosa para o paciente.

Uma Brecha Técnica Perigosa

Por outro lado, a Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, manifestou grande preocupação. A empresa aponta uma inconsistência perigosa na diretriz: a Anvisa restringe a importação de matéria-prima para peptídeos de origem biológica, mas libera a importação para os de origem sintética por qualquer farmácia. Para a Lilly, essa distinção é irrelevante do ponto de vista científico, pois a complexidade molecular e os cuidados de fabricação são rigorosos para ambos.

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A empresa usa como exemplo seu princípio ativo, a tirzepatida, que, embora sintética, exige tecnologia que farmácias de manipulação não possuem. A maior crítica da Eli Lilly é que a norma falha em combater o mercado clandestino, revelando a importação de quase 30 kg de tirzepatida não autorizada, suficiente para gerar 5,8 milhões de doses injetáveis, operando em escala industrial e fora de qualquer controle sanitário.

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