Uma nova pílula oral, Asundexian, foi apresentada em Nova Orleans durante a International Stroke Conference de 2025 e mostrou, em estudo global, capacidade de reduzir em 26% a chance de um segundo AVC isquêmico em sobreviventes do primeiro episódio; os dados foram divulgados pela associação norte-americana de cardiologia como uma alternativa que age sobre a coagulação (fator XIa) e pode oferecer proteção se aprovada, com início da medicação recomendado nas primeiras 72 horas após o evento para cobrir o período de maior risco.
O medicamento é um inibidor oral direcionado ao fator XIa da cascata de coagulação, desenvolvido para frear a formação de trombos sem aumentar de forma relevante os sangramentos graves que limitam outras terapias.
O principal estudo envolveu cerca de 12,3 mil participantes em centros de vários países, incluindo 13 centros no Brasil, e incluiu pacientes com AVC isquêmico não-cardioembólico; episódios hemorrágicos foram criteriosamente excluídos. O protocolo previu início precoce da droga nas primeiras 72 horas após o evento, buscando proteção imediata no período de risco elevado.
Segurança e combinação com outras terapias
Nos resultados apresentados, a combinação de Asundexian com antiplaquetários como a aspirina não elevou estatisticamente significativo a ocorrência de sangramentos maiores ou menores, um diferencial importante em comparação com opções anteriores.
O benefício de redução de recorrência foi consistente em subgrupos, independentemente do sexo e da gravidade inicial do AVC. A expectativa dos pesquisadores é que, caso as agências regulatórias autorizem, o fármaco seja utilizado de forma contínua como complemento às terapias convencionais, não como substituto direto da aspirina.
Especialistas ressaltam que a chegada potencial dessa opção não substitui medidas essenciais de prevenção secundária: controle rigoroso da pressão arterial, uso de estatinas e mudanças no estilo de vida continuam fundamentais.
A disponibilização para pacientes dependerá da aprovação por órgãos reguladores, incluindo Anvisa no Brasil, e profissionais e usuários são orientados a acompanhar novas orientações clínicas e protocolos locais.
