Um aumento significativo de terrenos loteados sem ocupação consolidada foi registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística entre 2019 e 2022, afetando todo o Brasil, com maior concentração no Nordeste e no Sudeste, resultado da expansão do planejamento urbano sem edificação efetiva, do atraso na implantação de infraestrutura e de possíveis estratégias especulativas que deixaram lotes com malha viária projetada, porém sem construções.
Um mapeamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indica que a superfície de parcelamentos com malha viária, mas com edificações ausentes ou insuficientes, cresceu de cerca de 1.779 km² para aproximadamente 2.943 km² entre 2019 e 2022, um acréscimo de 1.164 km² ou 65,5%. Essa expansão ocorreu em todo o Brasil, com maior concentração no Nordeste e Sudeste, e sinaliza um momento de urbanização incompleta.
Esses lotes demarcados exibem ruas e quadras projetadas, porém dependem de investimentos públicos e privados para se tornarem bairros efetivos. A ausência ou atraso na implantação de infraestrutura básica (como água, esgotamento, drenagem e transporte) é um fator recorrente que retarda a ocupação.
Além disso, práticas especulativas podem contribuir para a retenção de terrenos com objetivo de valorização futura, mantendo-os vazios e pressionando o uso do solo nas bordas urbanas.
Os números regionais mostram que o Nordeste concentra cerca de 1.274,82 km², o Sudeste 758,52 km², o Centro-Oeste 380,27 km², o Norte 283,96 km² e o Sul 245,90 km². As consequências incluem custo para os cofres públicos quando infraestrutura é necessária, risco de ocupação desordenada, impacto ambiental por fragmentação de habitat e aumento de impermeabilização.
A interpretação do crescimento exige coordenação entre IBGE, gestores municipais e estaduais, legislação urbanística e políticas habitacionais para transformar esses espaços em moradia, serviços e áreas sustentáveis, evitando desperdício de território. A participação da sociedade civil, associações de moradores e pesquisas acadêmicas também é fundamental para planejar usos mistos, mobilidade e infraestrutura verde com foco em equidade social.
