Em um avanço significativo para a integração sul-americana, Brasil e China selaram um pacto de colaboração em 7 de novembro visando a construção de uma vasta linha férrea transcontinental.
Este ambicioso projeto ligará a costa atlântica brasileira, na Bahia, a um ponto estratégico no litoral peruano do Pacífico, o terminal portuário de Chancay, com o principal objetivo de redefinir a dinâmica comercial e criar um corredor entre o Brasil e os mercados asiáticos.
A iniciativa, que representa a fase inicial de estudos e planejamento de engenharia, é impulsionada pela Infra S.A., entidade estatal brasileira vinculada ao Ministério dos Transportes, em parceria com o Instituto de Planejamento da empresa pública China Railway.
O trajeto preliminar para a malha ferroviária projeta uma extensão de aproximadamente 4.500 quilômetros. No território brasileiro, a ferrovia atravessará sete estados, começando em Ilhéus, Bahia, e chegando a Rio Branco, Acre, antes de cruzar os Andes rumo ao Peru.
O plano inclui a integração dessa nova rota com ferrovias nacionais já em implantação, como as linhas Fico e Fiol, além de conexões planejadas com modais rodoviários e fluviais no trecho peruano.
As estimativas iniciais apontam que este corredor de transporte tem o potencial de reduzir em até doze dias o tempo de trânsito para mercadorias destinadas à Ásia. Atualmente, produtos de exportação brasileiros como grãos e minerais precisam percorrer longas rotas marítimas pelo Atlântico, incluindo o Canal do Panamá.
A ferrovia transcontinental encurtaria drasticamente esse percurso, conectando áreas produtivas do interior do Brasil diretamente a portos no Pacífico, otimizando o escoamento.
Embora o acordo inicial não detalhe o cronograma de execução nem o custo final, estima-se que o investimento ultrapasse dez bilhões de dólares. As avaliações ambientais, de engenharia e de viabilidade financeira serão conduzidas nos próximos anos, período coberto pelo pacto inicial. A ministra Simone Tebet já destacou a importância estratégica dessa conexão ferroviária com o Pacífico.
Apesar de o Brasil não fazer parte formal da iniciativa Belt and Road da China, a colaboração técnica e comercial entre os países tem se fortalecido, incluindo visitas conjuntas a obras de infraestrutura brasileiras. Além deste projeto férreo, o governo brasileiro também avança em um corredor rodoviário ligando o Mato Grosso do Sul a portos chilenos, consolidando múltiplos eixos de integração continental e posicionando o Brasil como um hub logístico estratégico na América do Sul.
