No final de 2024, a farmacêutica gaúcha Ana Helena Ulbrich colocou o Brasil no mapa global da inovação ao ser nomeada pela revista Time uma das 100 figuras mais proeminentes em inteligência artificial.
O reconhecimento veio pelo desenvolvimento de uma revolucionária plataforma de IA, criada para aumentar a segurança na administração de medicamentos em hospitais. De forma altruísta e em colaboração com seu irmão, a tecnologia foi concebida por uma organização sem fins lucrativos para mitigar os perigos de erros em prescrições, uma vulnerabilidade crônica no sistema de saúde nacional.
Diferente da busca por lucros exponenciais que caracteriza o Vale do Silício, a jornada de Ulbrich e seu irmão, o cientista de dados Henrique Dias, seguiu um propósito social. Juntos, fundaram o instituto NoHarm, uma organização sem fins lucrativos cujo nome se traduz como “sem danos”.
O modelo de negócio é inovador: hospitais privados pagam uma taxa modesta pelo uso da plataforma, financiando assim o acesso gratuito para toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa abordagem garante que a tecnologia de ponta chegue a quem mais precisa, independentemente da capacidade financeira da instituição.
Da Angústia à Inovação
A ideia para o projeto nasceu de uma necessidade real vivida por Ana Helena em 2017. Atuando na maior rede hospitalar pública do sul do país, ela se via sobrecarregada com a tarefa de validar um volume enorme de prescrições em um tempo muito curto, o que gerava uma constante apreensão sobre a segurança dos pacientes.
Essa angústia profissional foi o ponto de partida para a criação de um algoritmo capaz de detectar anomalias e potenciais erros. O que começou como uma pesquisa acadêmica transformou-se em uma ferramenta robusta que, desde sua implementação inicial em março de 2020, já alcançou 200 hospitais e impactou a vida de mais de 2,5 milhões de pessoas.
Ulbrich faz questão de ressaltar que a IA funciona como um “copiloto” para farmacêuticos e médicos, e não como um substituto. O sistema qualifica e acelera a análise das prescrições, oferecendo um sofisticado apoio à decisão clínica, mas o julgamento final permanece nas mãos do profissional de saúde.
É essa filosofia ética, que coloca o bem-estar humano acima do ganho financeiro, que distingue seu trabalho no cenário mundial, provando que a inteligência artificial pode ser uma poderosa ferramenta de cuidado e equidade social.
