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Teresina é a 10ª capital brasileira a lançar o Plano de Ação Climática

A Prefeitura de Teresina, por meio da Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação – Semplan, realizou, nesta quarta-feira (18), o lançamento do Plano de Ação Climática. Teresina é a 10ª capital brasileira a lançar o documento, principal norteador das políticas públicas locais para adaptação e mitigação dos efeitos da emergência climática.

Dr. Pessoa ressaltou a importância do plano para execução de projetos que visem melhorar a qualidade de vida das pessoas, por meio das ações climáticas.

“O plano reúne estratégias que servirão de guia para a melhoria na infraestrutura da cidade e na qualidade de vida dos teresinenses. São diversas ações que devemos executar para mudar essa realidade que permeiam também em outras cidades do Brasil. O plantio de árvores é um exemplo que ajuda a reduzir a poluição do meio ambiente, além de proporcionar a liberação do oxigênio que melhora a qualidade do ar”, disse o prefeito.
Foto: secom/divulgacão

O trabalho foi desenvolvido pela Agenda Teresina 2030, vinculada à Semplan, com financiamento do CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina. A consultoria contratada elaborou um diagnóstico da atual situação da cidade em relação a emissão de gases do efeito estufa e fez um estudo dos riscos causados pela emergência climática, como formação de ilhas de calor, deslizamentos, alagamentos, queimadas e arboviroses. Além disso, o plano propõe ações e obras em eixos estratégicos de atuação para que a cidade possa se adaptar e reagir de forma resiliente a essa nova condição.

O coordenador da Agenda Teresina 2030, Leonardo Madeira, ressaltou a importância do documento para a cidade.

“O plano traz um inventário de gás de efeito estufa, um amplo estudo de vulnerabilidade, onde mostra quais são as zonas da cidade que precisam de maior atenção e traz um amplo e complexo arranjo de ações, com metas e indicadores do que devemos fazer. O plano envolve não somente ações públicas, mas também apresenta para a sociedade civil o que ela pode fazer. Então a responsabilidade não é somente da gestão pública, a responsabilidade é de toda a sociedade. Nós precisamos do morador no plantio de árvore, na não impermeabilização do seu quintal, na gestão adequada de seu resíduo. Então, essas pequenas ações no dia a dia permitirão que a cidade consiga se adaptar melhor a esse contexto de urgência climática”, explicou Leonardo Madeira.

Diagnóstico

Teresina está aquecendo a uma velocidade superior ao restante do mundo. Esse aquecimento é o responsável pela ocorrência de fenômenos periódicos, como o El Niño. É ele que está provocando, em todo o mundo, diversos fenômenos climáticos extremos, como as ondas de calor, responsáveis pela alta nas temperaturas na Europa, Ásia e Estados Unidos, por exemplo. No Rio Grande do Sul, recentemente, foram registradas ocorrências de três ciclones e fortes temporais em curto espaço de tempo.

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Na capital piauiense, as altas temperaturas no segundo semestre já são conhecidas. É o tradicional B-R-O Bró. Porém, com o aquecimento, esse período mais quente do ano está sendo antecipado para julho e se estendendo para janeiro. Além do mais, no período chuvoso já estão ocorrendo chuvas mais fortes com ventos em menor espaço de tempo, o que provoca o acúmulo de água em determinadas regiões da cidade.

Além disso, muitos bairros tem se tornado ilhas de calor, que são regiões mais adensadas, com menos infraestrutura e arborização. Nesses locais, as temperaturas ultrapassam os 40º em determinados dias do ano.

Propostas

O plano tem uma abordagem transversal e deve a sinergia entre diferentes áreas, como infraestrutura, transporte, energia, saúde, educação e planejamento urbano, garantindo uma resposta holística e efetiva aos impactos das mudanças climáticas. Ao adotar esse planejamento integrado, Teresina estará preparada para lidar com os desafios presentes e futuros, tornando-se uma cidade mais resiliente, sustentável e adaptada às condições climáticas futuras, protegendo seus cidadãos.

Entre as propostas, em linhas gerais, o plano destaca a adoção de políticas públicas que incentivem a arborização da cidade, tanto no âmbito da gestão como no privado, fomento à economia verde, adoção de energia limpa, educação ambiental e climática, realização de obras de infraestrutura que tornem a cidade mais resiliente aos fenômenos climáticos, incentivo ao transporte coletivo limpo, estabelecer uma governança climática e ambiental, fortalecimento da Defesa Civil, melhoria nos sistemas de drenagem, promoção da qualidade dos recursos hídricos, entre outras.

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Apresentação e apoio

O plano foi elaborado por uma consultoria especializada. O arquiteto e urbanista Leonardo Werneck, mestre em Gestão de Projetos em Planejamento Integrado Urbano Ambiental e de Transportes e diretor da I Care Brasil, veio a Teresina e fez a apresentação do documento.

“O primeiro diagnóstico que é feito é um inventário de emissões de gases de efeito estufa. A gente entende como e quais setores da economia de Teresina contribuem mais ou menos para emissões de gases de efeito estufa, nesse caso aqui o setor de transporte é o grande contribuinte em Teresina, representa quase 40% das emissões. O segundo diagnóstico foi entender como é que a crise climática afeta Teresina”, explicou Leonardo Werneck.

O lançamento do Plano de Ação Climática de Teresina é apoiado pelo programa UrbanShift (www.shiftcities.org). O gerente sênior de ação climática da C40 para o UrbanShift, Matheus Ortega, esteve presente no evento de lançamento, e ministrou uma sessão para os parlamentares e autoridades de Teresina sobre os impactos das mudanças climáticas em cidades e a importância da elaboração e condução de planos municipais para combatê-los. Além disso, o programa apoiou na elaboração de modelos visuais para a comunicação das ações do plano para a população em geral.

UrbanShift é a marca do Programa de Impacto para Cidades Sustentáveis do Global Environment Facility, GEF (www.thegef.org), liderado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (www.unep.org) e implementado em parceria com o World Resources Institute (www.wri.org), C40 Cities (www.c40.org), ICLEI – Local Governments for Sustainability (www.iclei.org), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (www.undp.org), o Banco Mundial (www.worldbank.org) e o Banco Asiático de Desenvolvimento (www.adb.org).

O objetivo do programa é apoiar o desenvolvimento urbano integrado em mais de 23 cidades na Asia, África e América Latina. No Brasil, o programa apoia o projeto CITinova II, liderado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (www.gov.br/mcti), e financiado pelo GEF, do qual a cidade de Teresina é integrante.

Sane Araujo

Jornalista e pesquisadora, formada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Piauí.

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