Em uma medida significativa para a saúde feminina no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer, recentemente, em 2025, novas alternativas terapêuticas para pacientes com endometriose, após um parecer positivo do colegiado nacional de avaliação de tecnologias sanitárias, visando a aprimorar o manejo desta condição crônica e aliviar o sofrimento de milhões.
As duas opções terapêuticas agora disponíveis no SUS são um dispositivo intrauterino com levonorgestrel (DIU-LNG) e o composto progestogênico desogestrel.
O Ministério da Saúde explicou que o DIU-LNG atua inibindo a proliferação do tecido endometrial fora do útero e é uma excelente alternativa para mulheres que não podem usar pílulas combinadas, oferecendo a vantagem de substituição apenas a cada cinco anos, o que melhora a adesão e o bem-estar.
Já o desogestrel foi incluído por sua capacidade de aliviar a dor e retardar a progressão da doença. Este contraceptivo hormonal impede a ação endócrina, evitando o desenvolvimento do endométrio ectópico. Pode ser usado como abordagem inicial mesmo antes da confirmação diagnóstica completa.
A pasta governamental ressaltou a necessidade de revisar os protocolos e documentos normativos para a completa disponibilização dessas terapias na rede pública.
É fundamental entender que a endometriose é uma doença inflamatória crônica, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao do revestimento interno do útero fora de sua cavidade, como em ovários, intestino ou bexiga, causando inflamação. Os sintomas mais comuns são dor pélvica intensa, dor durante a relação sexual, dificuldade para engravidar, além de sintomas intestinais e urinários cíclicos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a endometriose afete cerca de 10% das mulheres em idade fértil globalmente, somando mais de 190 milhões.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram um aumento significativo na busca por atendimento: consultas iniciais cresceram 30% (de 115,1 mil em 2022 para 144,9 mil em 2024), consultas de alta complexidade aumentaram 70% (de 31.729 para 53.793 no mesmo período), e internações pela condição subiram 32% (de 14.795 para 19.554). A inclusão destas novas opções é um passo crucial para responder a essa crescente demanda.
