Um estudo genômico de larga escala publicado na revista Nature reuniu mais de um milhão de genomas de 46 coortes para entender como variantes do DNA se relacionam com as cinco grandes dimensões da personalidade; onde, em uma amostra multi-coorte internacional; por que para decifrar por que pessoas diferem em extroversão, agradabilidade, conscienciosidade, neuroticismo e abertura; quando agora, com análises recentes; e como por meio da varredura de cerca de 10 milhões de variantes e de comparações entre irmãos e pares pais-filhos para reduzir vieses familiares.
Um consórcio mapeou as associações genéticas das cinco grandes dimensões de personalidade usando mais de um milhão de genomas de 46 coortes. Os pesquisadores detectaram 1.260 loci ligados a traços comportamentais, cerca de dois terços inéditos, após varrer 10 milhões de variantes. Para aumentar a robustez, análises entre pares de irmãos e duplas pais-filhos foram empregadas para minimizar confusão por efeitos familiares.
O estudo mostra que variantes comuns explicam modestos 5% a 10% da variação individual em personalidade, indicando que, apesar do sinal estatístico relevante, a maior parte da diferença entre pessoas continua a emergir de fatores não genéticos e de interações gene-ambiente. Entre os achados específicos, a extroversão apresentou 258 sinais novos e perfis mais extrovertidos associaram-se a menor risco de depressão, ansiedade e TEPT, mas também a maior correlação com condições neurodesenvolvimentais como TDAH.
Traços de conscienciosidade relacionaram-se a comportamentos de saúde mais favoráveis — maior atividade física, dieta menos calórica e sono regular — e até padrões de migração para subúrbios prósperos. O neuroticismo mostrou associação ampla com transtornos psiquiátricos, maior IMC e tendência ao tabagismo, além de influenciar respostas cognitivas imediatas, como indecisão em testes. Estudos familiares indicam que cerca de 96% do sinal genético detectado deriva do genoma do próprio indivíduo, não apenas do ambiente doméstico. Especialistas veem potencial para elucidar vias biológicas e orientar prevenção clínica, embora o escore poligênico tenha utilidade limitada para previsão individual; a mensagem central é que genes contribuem, mas não determinam, e o diálogo entre herança e experiência permanece central.
