A cidade de Pimenteiras, no Piauí, será palco da estreia oficial da série digital “Um Amor Arretado” neste sábado, dia 29, às 19h, na Quadra do Gentil Dantas. O evento, realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, marca o lançamento de uma produção audiovisual que busca reinterpretar um mito local para a era digital, com o objetivo de impulsionar a cena artística e exaltar a cultura piauiense sob a chancela da Secretaria de Cultura do Piauí (Secult).
A produção audiovisual inspira-se em um dos contos folclóricos mais emblemáticos do estado: a saga de Zabelê. Em uma releitura contemporânea, a trama explora o romance improvável entre Ana Laura, herdeira do poder político municipal, e Zé Filipe, descendente de uma respeitada linhagem de vaqueiros.
O enredo, que mescla comédia e drama, é intensificado por uma antiga desavença entre suas famílias, colocando o amor do jovem casal à prova e deixando no ar a dúvida se conseguirão um final feliz ou se estão fadados a repetir o destino trágico do mito ancestral. A missão da série transcende o entretenimento, focando na valorização do patrimônio imaterial de Pimenteiras e buscando conectar a juventude com suas raízes.
A escolha pelo formato digital é estratégica, democratizando o acesso ao conteúdo globalmente. Além disso, “Um Amor Arretado” atua como um catalisador para a economia criativa local, priorizando talentos do estado no elenco e na equipe técnica, injetando recursos na região e construindo um legado digital duradouro.
A Lenda por Trás da Trama
Para quem não conhece o folclore que inspira a série, a lenda de Zabelê é frequentemente descrita como o “Romeu e Julieta” do sertão piauiense. A história narra a paixão proibida entre a filha do líder da tribo Amanajós e um guerreiro da comunidade rival, os Pimenteiras.
O romance clandestino é revelado por um pretendente rejeitado, culminando na morte do trio e no início de um sangrento conflito intertribal. Segundo a tradição oral, o deus Tupã, apiedado pela tragédia, transformou os amantes em aves, cujo canto ecoa até hoje como um símbolo perene do amor que transcende a própria morte.
