Pesquisadores revelaram em 2026 que estruturas filamentares fossilizadas encontradas na Formação Tamengo, no sudoeste do Mato Grosso do Sul (Grupo Corumbá), representam comunidades microbianas que colonizavam o leito marinho há mais de 540 milhões de anos; a descoberta, obtida por meio de técnicas modernas de análise combinadas com observação morfológica, reavalia a crença de que pequenos invertebrados foram os primeiros habitantes bentônicos.
Trabalho fruto de parceria entre universidades brasileiras e norte-americanas e divulgado em periódico associado à Elsevier combinou técnicas analíticas modernas com observação morfológica para identificar restos tridimensionais de filamentos preservados na Formação Tamengo.
Pesquisadores utilizaram imagens de alta resolução, análises de microestrutura celular visível nos fósseis, detecção de matéria orgânica remanescente e datação estratigráfica para confrontar hipóteses alternativas. A tentativa de recuperar material genético foi realizada, embora rara em amostras tão antigas, e os resultados reforçaram interpretações baseadas em morfologia, química orgânica e contexto sedimentar.
Metodologia e evidências
- Filamentos preservados em três dimensões na Formação Tamengo.
- Indícios de pelo menos três táxons coexistindo: algas bentônicas possivelmente pigmentadas de vermelho ou verde e bactérias de grande porte, incluindo cianobactérias e grupos quimiooxidantes.
- Estruturas compatíveis com divisão celular e vestígios de matéria orgânica nos sedimentos.
- Reinterpretação de marcas antes atribuídas à meiofauna como sinais de vida filamentosa.
Os achados deslocam a narrativa sobre a colonização dos fundos marinhos ao indicar que formas microbianas complexas e consórcios fotossintéticos e quimiooxidantes estruturavam ecossistemas bentônicos antes dos pequenos invertebrados. A confiança nas conclusões decorre da convergência de evidências morfológicas, químicas e estratigráficas em amostras distintas, reduzindo a chance de contaminação ou erro.
Há semelhanças morfológicas eventuais com fungos, mas a maioria dos sinais favorece algas e bactérias; afinações taxonômicas exigirão novas descobertas. O estudo amplia a compreensão das primeiras comunidades bentônicas e sugere que, há mais de 540 milhões de anos, microrganismos já formavam redes ecológicas complexas no leito marinho. Sob supervisão de Thomaz Coelho.
