O governo federal anunciou, nesta semana, a entrada de nove medicamentos oncológicos no Sistema Único de Saúde; o lançamento público será na terça-feira, 20/10/2026, em cerimônia no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. A medida visa ampliar o alcance de terapias complexas, diminuir diferenças regionais e facilitar o acesso a tratamentos de alto custo, centralizando compras e logística pela pasta e expandindo oferta a centros especializados.
O programa AF-Onco estreia com oferta de nove medicamentos oncológicos no SUS, liberando novas moléculas para uso em centros especializados e beneficiando cerca de 116 mil pacientes nesta fase inicial. As intervenções contemplam tumores de mama, pulmão, próstata, rim, estômago e tireoide, e a expectativa ministerial é ampliar o leque de opções até dezembro, com inclusões adicionais previstas conforme dotação orçamentária.
Na prática, o Ministério da Saúde centralizará compras e logística dos produtos mais onerosos, enquanto unidades hospitalares seguirão responsáveis por parte das aquisições com reforço nos repasses federais; remessas iniciais serão destinadas a 21 serviços em 17 estados. Para terapias de maior custo, haverá exigência de autorização prévia com avaliação de dados clínicos nos centros especializados, o que busca alinhar segurança, eficácia e utilização racional.
Exemplos citados incluem abemaciclibe, cujo tratamento privado pode custar centenas de milhares de reais por ano; trastuzumabe, com indicação ampliada para alguns casos de câncer gástrico; rituximabe, que passará a atingir novos subgrupos onco-hematológicos; e gefitinibe, aguardado há anos. O plano também prevê rastreamento para câncer colorretal com distribuição inicial de 400 mil testes FIT em capitais e grandes municípios, voltados a pessoas entre 50 e 75 anos, com encaminhamento para colonoscopia quando indicado.
O sucesso da iniciativa dependerá da execução administrativa, do fluxo de suprimentos, da capacitação técnica e da aprovação dos R$ 3,9 bilhões propostos para 2027; pacientes devem buscar orientação nas unidades básicas e serviços oncológicos para dúvidas sobre elegibilidade e cronograma de tratamentos. Especialistas acompanharão indicadores e eficácia do programa.
