O Brasil enfrenta a possibilidade de escassez de capacidade para suprir a demanda por eletricidade a partir de 2025 e nos próximos quatro anos, especialmente nos momentos de pico noturno. Esta preocupação surge da ausência de medidas eficazes para garantir nova capacidade de geração e da mudança na matriz energética para fontes dependentes do clima que geram menos à noite, conforme apontado pelo estudo anual do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o Plano para a Operação Energética (PEN) de 2025, divulgado nesta semana.
O relatório do ONS para 2025-2029 explica que o problema se concentra no pico noturno porque fontes como eólica e solar não produzem energia após o pôr do sol, momento de maior consumo residencial e industrial. Para lidar com isso, o documento sugere acionar usinas térmicas flexíveis e menciona a possível reinstituição do horário de verão.
Apesar do aumento previsto na capacidade total para 268 GW até 2029, impulsionado por renováveis, a maior participação de fontes flutuantes exige maior agilidade na operação. O ONS projeta uso considerável de térmicas, especialmente no segundo semestre de 2025, com mobilização da reserva de capacidade, indicando margens apertadas. Prioriza térmicas flexíveis para resposta rápida.
Agrava o cenário o cancelamento do leilão de reserva de capacidade em abril. A Aneel aguarda novas instruções ministeriais para um futuro certame. Para 2026-2029, o estudo aponta um risco claro e mais pessimista de oferta insuficiente, superando limites aceitáveis.
A entrada de grandes consumidores como data centers e instalações de hidrogênio limpo, com alta demanda contínua, é um desafio adicional no pico noturno. Para mitigar riscos futuros e assegurar reserva de capacidade, o ONS considera essencial a realização anual de leilões.
